Ilustração para conto erótico de um homem e uma mulher sentados em um ônibus durante a noite, com iluminação em tons de roxo e rosa neon.

Uma viagem de ônibus cheia de tensão e tesão

Deixa eu te contar uma coisa que aconteceu numa quinta-feira à noite que começou absolutamente sem graça e terminou com minha calcinha no bolso do casaco. Sim. No bolso. Do casaco.

Eu estava no ponto de ônibus às dez e meia da noite, cansada do trabalho, com raiva de ter feito hora extra, com fome, cabelo preso do jeito que a gente prende quando não quer mais saber da vida.

O ônibus chegou. Entrei. E foi aí que o universo resolveu ser engraçado.

Ele estava sentado no terceiro banco do lado da janela. Jaqueta escura. Fone de ouvido pendurado no pescoço. Perna estendida com aquela confiança tranquila de homem que não sabe o que tá fazendo com a pessoa que tá passando do lado. Rosto bonito de um jeito direto, sem exagero. Mandíbula firme. Mãos grandes. Meus olhos desceram sozinhos, juro que não mandei.

Você é uma mulher que quer ganhar dinheiro extra ou está pensando em começar seu próprio negócio? Então, este guia é para você. “Começando a Revender: O Guia Completo para Iniciantes no Mundo do Empreendedorismo” é um caminho simples e claro para quem quer entrar no mundo das vendas.

O ônibus estava quase vazio. Tinha lugar de sobra.

Eu sentei do lado dele.

Não precisava. Completamente desnecessário. Cinquenta assentos livres e eu escolhi exatamente aquele. Me julgue à vontade, só depois de terminar de ler.

Ele virou levemente, me olhou, fez aquele negócio de abrir espaço com o corpo sem precisar se mover muito. Educado. Bonito e educado. Perigo total.

“Oi”, eu disse, bem simplesinha, e voltei os olhos pro telefone como se nada.

Ele respondeu baixinho. “Oi.”

A voz era grave do jeito que não devia ser permitido em transporte público.

O ônibus começou a andar e eu fiquei ali fingindo que lia alguma coisa no celular enquanto, na prática, eu só conseguia pensar no calor que vinha do lado dele. Coxa contra coxa, quase. Um centímetro de tecido entre a minha perna e a dele. A vibração do ônibus passando por todo o banco, subindo pela minha coluna, me lembrando que fazia um tempo considerável desde a última vez que alguém me olhava como se eu fosse um problema bom de ter.

Foi aí que eu tomei uma decisão.

Vou ser honesta com você: não foi uma decisão racional. Foi o tipo de coisa que o corpo decide antes do cérebro processar. Igual comer o terceiro pedaço de bolo. A gente não pensa, a gente já comeu.

Eu deixei minha perna encostar na dele.

Só um toque. Levíssimo. Podia ser o balanço do ônibus, podia ser coincidência, podia ser muita coisa. Não era nada disso, mas podia parecer. Ele não se mexeu. Ficou parado. Mas eu senti ele prestar atenção. Sabe quando o corpo de uma pessoa muda de estado sem se mover? Ele ficou mais presente ali do meu lado sem fazer absolutamente nada.

Boa resposta.

Eu continuei olhando pro celular. Ele continuou olhando pra frente. A gente não se falou. Só ficamos ali com as pernas encostadas e a tensão subindo silenciosamente entre nós dois como vapor.

Duas paradas se passaram. Nenhum dos dois se mexeu.

Na terceira parada, algumas pessoas desceram. O ônibus ficou ainda mais vazio. E eu resolvi escalar.

Minha mão foi pro meu próprio joelho. Casual. Com calma. Mas devagar eu fui empurrando a barra da saia um pouco pra cima. Não muito. Só o suficiente pra deixar mais pele aparecendo do meu lado. Ele olhou. Vi pelo canto do olho. Olhou e desviou rápido demais pra ser desinteresse.

Aí eu virei pra ele.

“Tem alguma coisa boa pra fazer nessa cidade tarde assim?” perguntei, como se fosse a coisa mais inocente do mundo.

Ele me olhou de frente dessa vez. Os olhos dele eram castanhos escuros. O tipo que você nota quando tá perto demais e não devia estar.

“Depende do que você chama de boa”, ele respondeu.

Eu sorri devagar. “Tenho algumas ideias.”

Ele não respondeu de imediato. Só me olhou por um segundo que durou mais do que um segundo tem direito de durar. E então virou levemente o corpo na minha direção.

“Me conta uma.”

A gente estava falando baixo agora. Baixo mesmo. O tipo de volume que não chega em mais ninguém mas parece íntimo demais pra um ônibus de linha. Lá na frente, um senhor dormia com a cabeça no vidro. Duas garotas conversavam no fundo com fone no ouvido. Éramos invisíveis do jeito mais excitante possível.

Minha mão saiu do meu joelho.

Ela pousou na coxa dele.

Não avancei. Não apertei. Só pus a mão ali, aberta, levemente, como quem apoia sem querer. Senti o músculo sob o tecido. Senti ele conter a respiração.

“Você tá fazendo isso de propósito”, ele disse. Não era acusação. Era constatação. Quase admiração.

“Completamente”, eu disse.

Ele fechou os olhos por exatamente dois segundos. Quando abriu, tinha uma decisão neles.

A mão dele veio por cima da minha. Não pra tirar. Pra cobrir. Pra pressionar levemente, como confirmação. A temperatura subiu três graus no meu corpo inteiro de uma vez.

Ficamos assim por mais uma parada. Mão sobre mão. Pernas encostadas. O ônibus balançando nos buracos da rua e cada solavanco virando uma desculpa pra nos aproximar um centímetro mais.

Foi ele quem moveu primeiro. A mão dele deslizou a minha pra cima. Devagar. Com pressão. Até a parte interna da minha coxa. Parou. Esperou.

Eu abri as pernas meio centímetro.

Ele aceitou o convite.

Os dedos dele foram subindo pela parte interna da minha coxa enquanto eu olhava pra frente como se estivesse contemplando o trânsito com profundo interesse filosófico. Meu coração estava na garganta. O ônibus estava quase vazio mas não estava vazio. Tinha gente. Tinha luz. Tinha o motorista no espelho retrovisor a qualquer momento. E isso, meus amores, tornava tudo absolutamente irresistível.

Quando a mão dele chegou na calcinha, eu estava tão molhada que senti vergonha por meio segundo e depois larguei a vergonha pra lá porque a mão dele estava entre as minhas pernas dentro de um ônibus de linha e eu não ia desperdiçar isso com sentimento inadequado.

Ele sentiu. E fez um som baixíssimo que não era bem um gemido mas chegava perto. O tipo de som que vai direto pro seu glilinho de diamante sem passar pela razão.

Os dedos dele trabalharam por cima do tecido primeiro. Lentos. Circulares. Me lendo. Encontrando o ritmo certo com aquela paciência de quem quer fazer direito mesmo com pressa. Eu estava me esforçando ativamente pra não fechar os olhos, não morder o lábio, não fazer barulho. A tensão de conter tudo enquanto tudo acontecia era tão boa quanto o que estava acontecendo.

Dois dedos dele foram pra dentro da calcinha.

Fechei os olhos. Por um segundo só. Depois abri de novo e fingi que não.

Ele encontrou o clitóris e ficou ali, com precisão que não era novidade pra ele, claramente. Pressão certinha, movimento certinho, velocidade que subia e baixava acompanhando minha respiração que eu estava tentando desesperadamente manter normal e falhando completamente.

“Você vai conseguir ficar quieta?” ele perguntou no meu ouvido. Quente. Baixíssimo.

“Não sei”, eu admiti com honestidade.

Ele continuou.

Minha mão foi instintivamente pra neca dele por cima da calça. Dura do jeito que deixa a cabeça da gente com muito menos sangue disponível pra raciocínio. Eu apertei. Ele prendeu a respiração. Boa noite.

A gente ficou assim, mão no outro, num ônibus em movimento, com o risco completamente real de alguém virar e ver. E esse risco era exatamente o combustível da coisa inteira. Cada vez que o ônibus balançava e eu tinha que me controlar mais, cada vez que ele aumentava a pressão e eu mordia o interior da bochecha pra não fazer barulho, cada vez que nossos olhos se encontravam rápido e desviavam rápido de volta pra fingir que não.

Quando senti o orgasmo chegando, pensei em segurar. Achei que não fosse conseguir ser discreta. Ia ser constrangedor, ia ser barulhento, ia ser demais.

Aí o ônibus passou por um trecho de paralelepípedo e o banco inteiro vibrou e eu me fudi.

Gozei.

Contida, contraída, dentes no lábio, dedos apertando a coxa dele com força que provavelmente deixou marca. Silenciosa do jeito que só se consegue quando a alternativa é ser presa. Mas completamente. Do jeito inteiro. Aquele tipo de orgasmo que começa na pepeca e vai até a ponta dos pés e você fica tonta por dez segundos depois.

Ele ficou com a mão ali enquanto eu terminava. Sem pressa. Com aquela gentileza de quem entende o momento.

Quando eu consegui respirar direito de novo, virei pra ele. Ele me olhava com um sorriso no canto da boca que me deu vontade de fazer tudo de novo.

“Sua parada é onde?” ele perguntou.

“Três à frente”, eu disse. “E a sua?”

“Duas.”

Ficamos nos olhando.

“Então a gente tem um problema”, ele disse.

“Ou uma solução”, eu respondi.

Eu desci na parada dele.

E a calcinha ficou no bolso do casaco porque não havia condições logísticas de recolocá-la discretamente.

mulher colocando calcinha na bolsa do casaco

O resto da noite não foi em ônibus nenhum. Foi no apartamento dele, com luz, sem pressa, sem precisar de discrição nenhuma. E foi muito, muito, muito bom. Mas essa parte fica pra outro dia, que essa história já tem começo, meio e fim que chegou antes do previsto.

Moral da história: às vezes o universo não manda sinal por e-mail. Às vezes ele manda um homem bonito num banco de ônibus às dez e meia da noite.

É só você decidir sentar do lado.

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