Ilustração para conto erótico de mulher de roupão abre a porta de casa segurando uma caneca de café, com o cabelo preso de forma despojada, enquanto recebe um homem alto com roupa de trabalho

O que ele construiu dentro de mim

Ele chegou numa segunda-feira de manhã cedo, e eu ainda estava de robe, com o cabelo preso de qualquer jeito e o café na mão.

Abri a porta sem pensar. E me arrependi de ter aberto no susto.

Não porque fosse feio. Exatamente o contrário.

Dois metros de homem de pé na soleira, camisa de malha que já tinha vida própria de tanto estar lavada, calça de trabalho com poeira de obra na barra. Ele me olhou direto. Não daquele jeito desconfortável de quem não tem onde pôr os olhos. Daquele jeito calmo de quem sabe onde quer estar.

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“Bom dia. Vim ver a reforma.”

Voz grossa. Grave. O tipo de voz que ocupa o espaço da sala antes do dono entrar.

Eu disse que ia mostrar o banheiro, onde o encanamento tinha estourado e arrastado metade da parede junto. Andei à frente. Senti o peso dos passos dele atrás de mim.

Isso era tudo. Era só obra. Era só um profissional fazendo uma visita técnica.

Mas eu já sabia que ia ser complicado.

O nome dele era Marcos. Ficou sabendo o meu antes que eu dissesse, porque era assim, perguntava direto o que queria saber sem enrolação nenhuma. Voltou na quarta com dois ajudantes e começou o serviço. Eu tentei manter rotina: trabalho em casa, calls, almoço, academia.

O problema é que a casa ficou pequena.

Todo dia às dez da manhã eu ouvia o barulho do portão e sabia que era ele. A música no celular deles, a conversa em voz alta, o som do reboco sendo misturado. Eu ficava na minha mesa fingindo que era capaz de ler mais de um parágrafo seguido.

Na quinta, fui buscar água na cozinha e passei pelo banheiro em reforma. A porta estava aberta. Ele estava agachado, verificando a tubulação, as costas para mim, com a camiseta levantada de um lado expondo uma faixa de pele bronzeada. Eu parei. Não foi uma escolha. Meu corpo simplesmente travou.

Ele virou a cabeça e me olhou por cima do ombro.

Não sorriu. Só olhou, dois segundos mais do que precisava, e voltou ao que estava fazendo.

Eu fui buscar minha água e fiquei de pé na cozinha por uns três minutos sem lembrar o que estava fazendo antes.

Na sexta, os ajudantes não foram. Chuva forte, eles moravam longe. Marcos apareceu sozinho, pontual como sempre, e quando eu abri o portão ele carregava o material nos braços e disse que faria o que dava sozinho.

Eu devia ter ficado no escritório. Devia ter colocado fone, travado a porta, fingido que tinha uma reunião até as seis da tarde.

Em vez disso, fiz café para dois.

Não perguntei. Levei a xícara até a porta do banheiro, bati de leve, e disse que estava na bancada se ele quisesse. Ouvi um “obrigado” abafado pelo barulho da furadeira.

Quinze minutos depois ele apareceu na cozinha, sem camisa, com um pano de obra jogado no ombro e a xícara na mão. Transpirado. Cabelo escuro grudado na testa.

Sem a camisa era diferente. Não era musculação de academia. Era trabalho. O corpo dele tinha a forma que tem quando você usa ele de verdade, todo dia, sem pensar no resultado. Ombros largos, costas desenhadas, abdômen firme mas sem aquela definição artificial.

Ele bebeu o café sem pressa. Me olhou enquanto bebia. E eu olhei de volta porque já tinha desistido de fingir que não estava olhando.

“Vai demorar mais do que o previsto”, ele disse. “A parede estava pior por dentro do que aparentava.”

“Quanto mais?”

“Mais uma semana, talvez dez dias.”

Eu processei isso. Dez dias. Dez dias de Marcos chegando de manhã, ocupando o espaço da minha casa, me fazendo esquecer tudo que precisava fazer.

“Tá bom”, eu disse. E foi tudo que saiu.

Ele deixou a xícara na pia, virou para ir embora, e aí parou. Como se tivesse lembrado de alguma coisa.

“Você sabe que fica me olhando desde o primeiro dia, né?”

Eu abri a boca. Fechei. Não saiu nada útil.

Ele não estava sendo grosseiro. Não estava me desafiando. Era só o mesmo jeito calmo, direto, que ele tinha de perguntar qualquer coisa, como se a resposta já não fosse surpresa.

“Sei”, eu disse por fim.

Ele ficou quieto por uns três segundos. Me olhou de um jeito que eu senti na barriga antes de sentir em qualquer outro lugar.

“Sexta que vem os guris não vêm de novo”, ele disse. .”Então vou ser eu aqui o dia inteiro.”

Ele voltou para o banheiro.

Eu fiquei de pé na cozinha com o coração numa velocidade que não era normal para uma conversa sobre cano.

Na semana seguinte, a tensão tinha textura. Eu sentia ela no ar sempre que estávamos no mesmo cômodo. Nos olhares que duravam um segundo a mais. Na forma como ele falava mais baixo quando estava perto, me obrigando a me aproximar para ouvir.

Numa tarde, ele me chamou para mostrar onde a rachadura tinha entrado mais fundo do que aparecia. Entrei no banheiro, ele estava do meu lado, o braço levantado apontando para a parede, e o ombro dele estava a cinco centímetros do meu rosto.

Esse cheiro. Obra, suor, alguma coisa mais embaixo que não tinha nome mas que me bateu direto entre as pernas.

Eu disse que tinha entendido. Saí rápido.

Na sexta, os ajudantes não foram, como prometido.

Às onze da manhã, ele apareceu na porta do escritório e disse que precisava mostrar uma coisa. Eu fui. O banheiro estava quase pronto, a parede nova, os azulejos assentados. Bonito. Limpo.

“Ficou bom”, eu disse.

“Ficou.”

Ele estava do meu lado de novo. Não tinha nenhum motivo para estar tão perto. A porta do banheiro era larga o suficiente para caber três pessoas.

Eu virei para sair e ele estava ali, de frente, sem recuar.

Nenhum dos dois falou nada.

E eu me cansei de esperar.

Coloquei a mão no peito dele. Senti o calor antes de tocar. Olhei para cima, para ele, e disse com a voz que saiu mais firme do que eu esperava: “Você vai parar de ficar me olhando assim ou vai fazer alguma coisa?”

Ele não respondeu com palavra nenhuma.

Me pegou pelo rosto com as duas mãos e me beijou daquele jeito que não pede licença. Fundo, pesado, com aquela boca quente que eu tinha ficado olhando a semana inteira. Eu agarrei a camiseta dele e me esqueci completamente do que era ter vergonha.

Ele me empurrou com cuidado contra a parede nova do banheiro, a que ele mesmo tinha construído, e passou a mão pela minha cintura por baixo da blusa. A mão era áspera. Do trabalho. E aquela aspereza me deixou em ponto de bala em trinta segundos.

“Aqui não”, eu disse entre um beijo e outro.

Ele entendeu na hora. Me puxou pelo corredor, sem pressa mas sem parar, e a gente chegou no meu quarto com a roupa já meio desfeita.

Ele me deitou. Ficou de pé me olhando por um segundo, com aquele olhar calmo que nunca mudava, nem agora. Tirou a camiseta. E eu tive que me segurar para não dizer nada idiota.

Subi a blusa sozinha. Tirei. Ele debruçou em cima de mim e começou pelo pescoço , descendo devagar até os seios, e quando a boca dele fechou em cima do meu mamilo eu fechei os olhos e decidi que ia parar de pensar em qualquer coisa que não fosse aquilo.

A mão dele desceu pela minha barriga, entrou na calça sem pressa de ninguém, e quando os dedos encontraram a minha boceta ela já estava encharcada. Ele parou um segundo. Olhou para mim com aquela expressão.

“Faz tempo que você está assim?”

“Faz uma semana”, eu disse sem nenhuma vergonha.

Ele riu, baixinho, e a gente nunca tinha falado tanto quanto naquele momento com ele enfiando dois dedos em mim com precisão cirúrgica.

Eu me agarrei no ombro dele. Abri mais. Ele trabalhou o clitóris com o polegar enquanto os dedos se moviam por dentro, e eu fui embora antes de querer, com o orgasmo me pegando de surpresa, saindo em onda longa enquanto eu mordia o ombro dele para não gritar.

Ele ficou parado, sentindo tudo. Não parou no meio. Esperou eu terminar de verdade.

Depois se levantou, tirou o restante da roupa, e eu vi a neca dele pela primeira vez. Grossa. Firme. Ponto de bala do começo ao fim.

“Você tem?”, ele perguntou.

Apontei para a gaveta. Ele pegou a camisinha, vestiu, voltou. Abriu minha perna com a mão e entrou devagar, me olhando a vida toda enquanto entrava.

A primeira macetada foi funda. A segunda foi mais funda ainda. Ele pegou um ritmo que não era pressa, era controle. Cada movimento calculado para chegar onde precisava chegar, e eu senti ele no fundo do meu corpo com cada um.

Eu pedi mais. Com palavras, sem cerimônia. Ele deu.

O ritmo subiu. A cama conheceu o nome dele sem que ninguém apresentasse. Eu gritei quando quis, agarrei onde quis, e quando vim pela segunda vez foi com ele ainda dentro de mim, me segurando pelos quadris com aquelas mãos de pedreiro que não eram delicadas em nenhum sentido e eram exatamente o que eu precisava.

Ele acabou logo depois. Quieto, como era em tudo. Só o peso do corpo dele em cima do meu por alguns segundos.

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Ficamos deitados até a respiração voltar ao normal.

Depois ele se levantou, foi ao banheiro, voltou arrumando a roupa.

“Termino o serviço semana que vem”, ele disse.

“Eu sei.”

Me olhou por um segundo antes de sair do quarto.

Eu fiquei na cama olhando o teto, com aquele silêncio gostoso de quem acabou de se entregar de verdade e não tem o menor arrependimento.

A obra ia durar mais uma semana.

Eu ia aproveitar cada dia.

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