ilustração para conto erótico de uma mulher abrindo a porta do apartamento para outra mulher

O segredo do corredor: o dia em que a minha vizinha entrou no meu quarto

O sol da tarde entrava pelas frestas da persiana do meu escritório, desenhando linhas de luz no chão de madeira. Eu estava concentrada em uma planilha complexa, tentando aproveitar as últimas horas do meu home office, quando o silêncio do apartamento foi quebrado por um barulho estranho vindo da área de serviço.

Quando me levantei para checar, dei de cara com uma barata enorme voando em direção à cozinha. O pavor foi imediato. Soltei um grito, peguei a primeira revista que vi pela frente e tentei enxotar o inseto, mas ele correu direto para o vão atrás do armário embutido. Eu estava paralisada no meio do corredor, respirando de forma acelerada e com o coração na boca, quando ouvi batidas urgentes e firmes na minha porta de entrada.

Ao abrir, dei de cara com a Beatriz, nossa vizinha de porta. Ela vestia um short de lycra curto e uma regata preta justa, com o cabelo escuro preso em um coque alto e algumas gotas de suor na testa, indicando que tinha acabado de chegar da academia. A proximidade das nossas idades e o jeito sempre simpático dela tinham facilitado nossa amizade nos últimos meses, mas eu nunca a tinha visto tão de perto daquele jeito, com as roupas coladas no corpo malhado.

— Está tudo bem? Eu estava entrando no meu apartamento e ouvi o seu grito. Achei que tivesse acontecido um acidente pesado! ela disse, com os olhos castanhos arregalados de preocupação.

— Ai, meu Deus, Bia, me desculpa… Que vergonha, respondi, cobrindo o rosto com as mãos, rindo de puro nervoso. — É só uma barata gigante. Eu tenho uma fobia terrível disso e ela se escondeu atrás do armário. Meu marido viajou a trabalho e eu congelei aqui.

Beatriz soltou uma risada aberta, uma gargalhada gostosa que aliviou imediatamente o meu constrangimento.

— Não brinca! Deixa comigo, eu resolvo isso para você agora. Onde tem um inseticida ou um chinelo?

Ela pediu licença e entrou com uma atitude decidida. Eu a guiei até o corredor, mas fiquei encolhida na porta da sala enquanto ela, com total coragem, afastou a vassoura, achou o inseto e resolveu o problema em dois tempos. Depois de descartar a ameaça na lixeira da área de serviço, ela entrou no banheiro social para lavar as mãos.

Eu me aproximei lentamente da porta, a observando terminar de enxugar as mãos na toalha.

— Sério, Bia, muito obrigada. Nem sei como te agradecer, que papelão o meu, falei, me encostando no batente da porta de madeira.

Beatriz pendurou a toalha e se virou de frente para mim. O banheiro social era pequeno, o que nos forçou a ficar a poucos centímetros de distância uma da outra. Foi a primeira vez que prestei atenção nela de verdade, sem a presença de nossos maridos ou de outras distrações ao redor.

O perfume dela era uma mistura de baunilha com o frescor da pele quente pós-treino. A regata justa revelava o contorno firme dos seios grandes, que se moviam sutilmente conforme ela respirava. O olhar dela, profundo e atento, fixou nos meus olhos com uma intensidade que me fez perder o ar.

Minha relação com o meu marido, embora cheia de companheirismo, já tinha deixado o toque físico e o desejo de lado há anos. A gente vivia como excelentes amigos. Mas sentir aquela proximidade física com a Beatriz me causou um choque elétrico. Há anos eu não sentia aquela atração avassaladora, animal, que arrepia a pele e faz o sangue correr mais rápido nas veias.

Beatriz pareceu ler a minha reação. Ela deu meio passo à frente, eliminando qualquer espaço que restava entre nós.

— Ei… Calma. Está tudo bem. Só tem eu e você aqui, ela falou baixinho.

Eu fechei os olhos por um segundo, me permitindo sentir. O absurdo daquela situação e o fato de ser algo completamente proibido agiram como um combustível pesado para o meu desejo. Quando abri os olhos de novo, Beatriz estava me encarando com um desejo evidente, o olhar descendo direto para a minha boca.

A resistência que eu achava que tinha desmoronou. Avancei milímetros, o suficiente para que nossas respirações se misturassem quentes, até que nossos lábios finalmente se colassem.

O beijo começou como algo tímido, uma linha cruzada pela primeira vez, mas em segundos se transformou em algo urgente. A boca de Beatriz era macia, úmida e possessiva. Nossas línguas se encontraram com a fome de quem guardava um segredo trancado. Minhas mãos subiram para os ombros definidos dela, subindo até a nuca e soltando o elástico do seu cabelo, deixando as ondas escuras caírem livres.

bocas de mulheres se beijando

Beatriz gemeu baixo contra a minha boca, colando o corpo dela contra o meu com força. As mãos grandes dela desceram pelas minhas costas, apertando a minha cintura e puxando meu quadril para a frente. Eu conseguia sentir a umidade crescendo entre as minhas pernas, uma pulsação quente que há muito tempo eu não experimentava. Ela afastou os lábios do meu beijo por um instante, descendo a boca pelo meu maxilar até cravar os dentes de leve no meu pescoço.

— Esse vai ser o nosso segredinho, tá? ela sussurrou na minha orelha, a voz rouca me fazendo arrepiar da cabeça aos pés.

— Nosso segredo, concordei, a voz falhando pelo tesão acumulado.

Sem mais nenhuma pressa ou hesitação, guiei Beatriz pelo corredor até o meu quarto. Com movimentos ágeis e desajeitados pela urgência, começamos a arrancar as roupas uma da outra. A regata preta dela voou para o chão, revelando os seios fartos com os bicos já duros pelo desejo. Tirei a roupa por completo sob o olhar atento dela, que parecia devorar cada curva do meu corpo.

Deitamos na cama de casal, sob a luz suave que entrava pela janela semiaberta. Beatriz se deitou de costas, e eu subi por cima dela, deixando que nossos corpos nus se tocassem por inteiro pela primeira vez. Comecei a distribuir beijos lentos pelo colo dela, descendo até abocanhar um de seus mamilos, sugando com vontade enquanto ouvia os primeiros gemidos reais preencherem o quarto.

Fui descendo a boca pelo abdômen definido dela, deixando uma trilha molhada até chegar entre suas coxas. Beatriz abriu as pernas, se entregando. A boceta dela inchada e exalando um aroma doce e natural que me embriagou. Usei a língua com paciência, explorando cada centímetro, descobrindo o ritmo que a fazia arquear o quadril na cama e cravar os dedos nos meus ombros.

— Letícia… meu Deus, você é perfeita — ela falou, se esfregando contra a minha boca com uma safadeza que me deixou ainda mais excitada. — Encosta em mim, quero sentir o seu corpo.

A gente ficou deitada de lado, viradas de frente uma para a outra, com as pernas entrelaçadas em uma posição íntima e perfeita.

Quando nossos clítoris se encostaram pela primeira vez, cobertos pela lubrificação abundante das duas, uma corrente de prazer puro atravessou o meu abdômen. Era uma sensação completamente diferente de tudo o que eu já tinha vivido, um encaixe anatômico e sensorial que parecia feito sob medida.

Começamos o movimento de atrito, esfregando nossas bocetas uma contra a outra num ritmo que começou lento e logo ganhou velocidade. O som úmido do contato dos nossos corpos dominava o silêncio do quarto. Beatriz segurava os meus seios com as duas mãos, apertando no compasso das nossas reboladas.

O calor entre as nossas pernas era absurdo, uma queimação deliciosa que pedia por mais força. Eu pressionava o meu corpo contra o dela, sentindo a textura da pele de Beatriz, o ritmo frenético que havíamos criado juntas. Nossos olhares não se desviavam, estávamos conectadas pelo prazer e pela quebra da regra.

— Eu vou… Bia, eu vou gozar, avisei, a respiração totalmente cortada…

— Vai, Lê… junto comigo, vai — ela incentivou, aumentando a pressão e a velocidade do encaixe.

As nossas bocetas se esfregavam com tanta força que o prazer parecia ter atingido o limite máximo daquela posição. Foi quando uma onda de audácia me atingiu por completo, impulsionada pelo calor daquele momento proibido. Eu quebrei o ritmo por um segundo, segurando o quadril de Beatriz para que ela desacelerasse, embora a gente tivesse arfando e tremendo de tesão.

— Espera… tive uma ideia — sussurrei, a voz quase sumindo pela falta de ar.

Beatriz me olhou sem entender a pausa. Eu me estiquei até a gaveta da mesa de cabeceira, tateando o fundo até encontrar uma caixinha que estava guardada e lacrada há meses. Era um vibrador bullet potente, que eu tinha comprado num impulso de curiosidade na internet, mas que nunca tive coragem ou oportunidade de usar com o meu marido.

Quando tirei o brinquedo da embalagem e mostrei para ela, os olhos de Beatriz brilharam. Ela soltou um sorriso malicioso, o tipo de reação de quem adora flertar com o perigo.

— Você estava guardando isso esse tempo todo? ela perguntou, a voz rouca. — Liga logo.

Posicionei o vibrador exatamente no clitóris dela. Beatriz soltou um grito agudo contra o meu ombro, cravando as unhas nas minhas costas.

Desabamos lado a lado no colchão, os peitos subindo e descendo rapidamente. Desliguei o aparelho e o joguei em qualquer canto da cama. Olhamos uma para a outra e, aos poucos, um sorriso cúmplice e ligeiramente tímido surgiu nos nossos rostos. Beatriz estendeu o braço, acariciando a minha costela com suavidade enquanto recuperava o fôlego, sem demonstrar qualquer sinal de arrependimento ou medo do perigo. A tarde continuava silenciosa lá fora, mas o nosso corredor de apartamento nunca mais seria o mesmo.

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