ilustração de um casal se beijando no sofá para ilustrar um conto erótico

Chato no papo, gostoso na cama

O universo corporativo tem dessas coisas: às vezes te coloca em situações incrivelmente entediantes, e às vezes te apresenta alguém que bagunça completamente a sua cabeça. Eu estava participando de um workshop de marketing digital em um hotel na Avenida Paulista. O evento em si estava arrastado, mas tudo mudou na última rodada de palestras, quando um cara se sentou na cadeira exatamente ao meu lado.

O nome dele era Marcelo. Visualmente, o homem era um espetáculo: um cabelo castanho-claro perfeitamente alinhado, barba bem aparada desenhando um maxilar forte, um porte físico de quem frequentava a academia com disciplina e um sorriso que, confesso, me fez perder o fio da meada do palestrante.

Mas bastou ele abrir a boca para a magia dar uma oscilada. Ele tinha um olhar meio ingênuo, bobão, e usava uma combinação de roupas que claramente não conversavam entre si, uma camisa social bonita com uma calça de sarja de uma cor duvidosa e um sapatênis que me deu um leve calafrio.

Ele começou a puxar assunto sobre as métricas de engajamento que o palestrante mostrava no telão. Eu respondia com monossílabos, meio sem paciência para jargões de trabalho àquela hora da noite, mas meus olhos insistiam em travar na boca dele. Enquanto ele falava sobre gráficos, eu só conseguia imaginar qual seria o sabor daquele beijo e como aquele corpo funcionaria sem nenhuma daquelas roupas cafonas.

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Quando o evento finalmente acabou, o hotel liberou um coquetel com espumante e drinks. Ficou simplesmente impossível ignorar a presença do Marcelo. Ele era um misto perfeito de “gostoso” e “chato”. Conversa vai, conversa vem, o teor alcoólico no meu sangue subiu e a gente decidiu esticar a noite em um pub ali por perto para continuar conversando. Entrei no Uber me perguntando se aquilo seria uma perda de tempo monumental ou a melhor escolha da semana.

Assim que o carro deu a partida, o assunto profissional morreu e o Marcelo resolveu engatar em suas paixões pessoais. O problema? Nossos gostos eram polos totalmente opostos. O álcool já tinha limpado qualquer filtro de polidez que eu tinha.

— Cara, eu sou completamente alucinado por automobilismo. Não perco uma corrida de Fórmula 1, passo os domingos colado na TV assistindo até os treinos livres, ele disse, com os olhos brilhando.

Eu olhei para ele, mudei de posição no banco do carro e soltei, sem dó:

— Ah, não, brincadeira… Como alguém consegue passar três horas assistindo a um monte de carro dando volta em círculo? Acho a coisa mais sem propósito do mundo. Zero interesse.

Ele me olhou chocado, mas tentou defender o hobby:

— Você está reduzindo toda a engenharia, a estratégia de equipe e a adrenalina dos pilotos a “dar voltas em círculo”?

— Não quero ofender a sua paixão, sério. Eu respeito. É só que, para mim, é o auge do tédio, respondi, revirando os olhos.

Tentando salvar o clima, ele mudou o rumo da conversa com um sorriso orgulhoso:

— Bom, mas eu também tenho meu lado intelectual, sabe? Eu amo passar o sábado de manhã visitando exposições de arte contemporânea e galerias independentes.

Dessa vez eu não aguentei e dei uma risada irônica:

— Parabéns por ser tão culto da arte, de verdade. Mas arte contemporânea me dá uma preguiça sem fim. Um quadro com um risco preto no meio e as pessoas fingindo que entenderam o significado? Não tenho a mínima paciência. Entediante nível extremo.

O Marcelo cruzou os braços, me encarou com uma mistura de indignação e deboche e soltou:

— Caramba, você realmente é uma mulher refinada, hein? Gosto difícil, para poucos.

Naquele momento, me bateu uma vontade louca de mandar o motorista parar o carro e me deixar em casa. O cara era incrivelmente mala. Mas, por outro lado, ele estava ali, do meu lado e com aquele peitoral largo quase encostando no meu ombro. Chegamos ao pub. O Marcelo, sendo o perfeito cavalheiro chato que era, deu a volta e abriu a porta do carro para eu sair. Eu desfiz o bico de insatisfação e tentei ser simpática. Afinal, feio ele não era.

Pedimos mais uma rodada de drinks no balcão do pub. Ele tentava achar uma brecha para puxar assunto, e eu continuava rebatendo com o meu jeito implicante, deixando claro que a gente não combinava em absolutamente nada. A essa altura, eu já nem sabia se queria beijar aquele homem por puro tesão ou para fazê-lo parar de falar.

Decidimos deixar os drinks de lado e ir para o apartamento dele para comer alguma coisa e dar um desfecho digno para a noite, porque terminar aquela tensão toda no zero a zero não era uma opção para nenhum dos dois.

Quando o Marcelo abriu a porta do apartamento dele, eu fiquei paralisada por dois segundos. Era a confirmação de que o bom gosto dele tinha passado longe. O apartamento era limpo, super organizado, mas a decoração parecia um quebra-cabeça montado com as peças erradas. Tinha um quadro abstrato na parede, uma almofada de estampa geométrica que não combinava com o sofá de couro, e um vaso de flores artificiais que parecia ter saído da casa da minha avó. Um caos estético.

Ele foi até a cozinha e assou uma pizza congelada de caixinha que ele tinha no freezer. Comemos sentados no sofá, conversando amenidades. Se a gente demorasse mais dez minutos conversando sobre o mercado de ações, eu juro que o sono ia me vencer. Foi aí que, milagrosamente, ele acertou em cheio. O Marcelo pegou o celular e colocou uma playlist de jazz instrumental para tocar de fundo. Não era o meu estilo de música favorito, mas o som baixinho acabou criando uma atmosfera íntima, confortável e com uma vibe absurdamente sexy.

E o melhor de tudo: ele finalmente ficou quietinho.

Com a música preenchendo o silêncio, o Marcelo mudou de postura. Ele parou de tentar ser o cara inteligente ou o fã de esportes e passou apenas a me encarar. Aquele olhar meio bobo de antes sumiu, dando lugar a uma intensidade que fez meu estômago dar voltas. Ele se aproximou devagar, reduziu o espaço entre nós no sofá e, sem pedir licença, colou os lábios dele nos meus.

Puta que pariu. O beijo dele era o oposto da conversa dele: perfeito. Os lábios eram macios, quentes, e ele tinha uma pegada forte. O Marcelo espalmou a mão grande na minha nuca, entrelaçando os dedos no meu cabelo e puxando a minha cabeça com firmeza para o beijo ficar mais profundo. Me arrepiei da cabeça aos pés. Aquela boca tinha um sabor delicioso, misturado com o toque cítrico dos drinks que a gente tinha tomado.

mulher no colo do homem

Não consegui me segurar. Puxei o corpo dele para ainda mais perto, sentindo meus seios pressionados contra o peitoral rígido dele. Movida pelo tesão que estava acumulado desde o hotel, mudei de posição e sentei direto no colo dele, ficando montada nas suas coxas. Comecei a rebolar o meu quadril devagar, e no mesmo instante senti o volume do pau dele, completamente duro, marcando a calça dele bem embaixo de mim. O homem estava desesperado para me ter.

Cada lugar onde as mãos dele tocavam, descendo pelas minhas costas, apertando a minha cintura e subindo pelas minhas coxas, parecia incendiar a minha pele. O Marcelo gemeu alto, completamente rendido ao meu comando.

Ele abriu o zíper da calça com pressa, se livrando do incômodo. Ele esticou o braço, pegou uma camisinha que já estava estrategicamente no bolso e colocou com agilidade.

Voltei a me posicionar por cima dele. Olhei bem no fundo dos olhos dele, sustentando um olhar bem safado, e fui descendo o meu quadril milímetro por milímetro. Senti a cabeça do pau dele tocar a minha entrada e me preencher por completo conforme eu sentava de uma vez. Soltei um suspiro alto, sentindo aquela grossura deliciosa esticar tudo por dentro.

O Marcelo segurou firme na minha cintura, me ajudando a ditar o compasso. Comecei a subir e descer no colo dele, aumentando o ritmo da sentada aos poucos, mas fazendo questão de rebolar o quadril bem curtinho, esfregando o meu clítoris direto contra a base do pau dele a cada movimento. O prazer era tanto que minha mente simplesmente desligou. Toda aquela implicância e os assuntos chatos sumiram, a única coisa real era o calor daquele homem me possuindo por baixo.

Ele jogou a cabeça para trás no encosto do sofá, com os olhos meio abertos, assistindo ao show que eu estava dando no seu colo. O Marcelo levantou uma das mãos e deu um tapa firme na minha bunda, fazendo um estalo ecoar junto com a música de jazz. O impacto e o ardor da palmada me deram um pico de tesão absurdo.

— Você é gostosa demais, que inferno…

Eu continuei quicando com força, cavalgando naquele pau duro que me jogava para cima. O suor começou a brotar na nossa pele, fazendo nossos corpos escorregarem um no outro a cada choque de quadril. O prazer foi se concentrando na minha buceta de um jeito tão intenso que eu sabia que estava na beira do precipício.

O Marcelo percebeu que eu estava no limite. Ele segurou as minhas nádegas com as duas mãos, me puxando para baixo com força enquanto fazia o quadril dele subir em estocadas violentas e rápidas de baixo para cima. Aquela mudança de ritmo foi o ponto de virada. Eu fechei os olhos, apertei os ombros dele com as unhas e desabei em um orgasmo maravilhoso, sentindo a minha buceta contrair e sugar o pau dele com força total.

No mesmo segundo, vi o Marcelo revirar os olhos, soltar um urro grosso de satisfação e dar as últimas duas estocadas profundas, derramando tudo na camisinha enquanto o corpo dele inteiro tremia embaixo de mim.

O Marcelo se limpou, jogou a camisinha fora e voltou a deitar comigo no sofá, me puxando para deitar a cabeça no braço dele. Ele passou os dedos pelo meu cabelo, olhou ao redor da sala e depois olhou para mim com um sorriso malicioso de canto.

— Bom… Eu posso ter um gosto meio duvidoso para decoração e hobbies, mas você não pode reclamar do meu gosto refinado para mulheres. Você é uma delícia de verdade, ele brincou, com a voz mansa.

Eu dei uma risada baixa, passei o dedo de leve pelo peito sarado dele e respondi com o meu melhor tom debochado e provocativo:

— É… Tenho que admitir que, pelo menos em um aspecto da vida, você provou que tem um excelente gosto. Na cama, você não é nada chato.

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